
Nesses dias, renasceu uma esperança, e cresce cada vez mais a luz de uma de nossas estrelas. A que hoje guia e brilha em nossos corações a chama de que é possível um outro mundo, seu nome: Lula da Silva. É Ele, sim, que agora nos faz lembrar que o Cruzeiro que estampa a nossa bandeira é o do Sul, não o do Norte.
Devemos ser articulados em um projeto de desenvolvimento nacional, de independência e harmonia entre os povos. Um Brasil soberano, com projeto próprio, em que a brasilidade não se porta e comporta à sombra do ódio, do obscurantismo, e do negacionismo. A brasilidade é feita de cores vivas de uma natureza exuberante, bela tal como a Amazônia, o Pantanal e os nossos ecossistemas. Natureza essa, que cada vez mais rara, deve ser preservada cuidadosamente dentro e fora de nós.
Somos feitos de amor aos diferentes, somos a solidariedade de um presente vivido em comum, mas feito de múltiplos passados sofridos. Ao negro, ao índio, ao ribeirinho, ao pantaneiro, e ao povo cuiabano: resta a partilha do pão e a comunhão de interesses. Pois, o que sempre se impôs a todos foi a miséria de oportunidade. Mas essa brava gente, tem a alma dos Guaicurus, Paiaguás e Cativos do Sertão em que a existência e a arte não se cansam de expor a contrariedade do sentido medíocre da vida sem resistência, sem orgulho próprio e sem respeito ao que se tem como identidade nacional popular.
Nossas marcas indeléveis no mundo, seja hoje, ontem e no dia de amanhã: serão três beijos na face, um bom abraço, o compromisso de que as criaturas sejam adoradas só pelo fato de existirem e que os intoleráveis sejam combatidos na proporção de sua vontade opressora.
Aqui a modernidade é feita do fogo que incendeia quem machuca os filhos desta terra, seja com palavras, discriminação ou pela ponta de um chicote. Mas isso nunca impediu que lutássemos, e não há nenhum povo nesse mundo todo que saiba tão bem que nada nos é dado, e tudo é conquistado com suor, sacrifício e até sangue. Do mísero reconhecimento até a mínima valorização. O tempo de uma refeição ou o sossego de um descanso ao sábado. O direito aqui é oração que se escreve coletivamente começando com mobilização, consciência e que nunca tem ponto final.
O brasileiro é o que trabalha. Dia a dia, vida a vida, geração a geração, em uma força de vontade descomunal que dá a visão de um ser social inabalável, incriticável e solidário como nenhum outro.
Em um ônibus, em uma praça e em uma escola, o que se verá no olho do brasileiro é o que não se tem em nenhum outro: é a perspicácia de que a justeza do mundo, tão necessária, por mais dura que seja a realidade, é feita de afeto e compreensão. Não se trata de inocência, o brasileiro é consciente de que privilégios são para classe de uns, essas tais brechas que permitem poucos estejam acima da Lei e de tudo o que se preza e respeita dentro da casa de qualquer Maria e José.
Não só por isso, a brasileira batalha, e como batalha. Não só por honestidade, mas por dignidade de um olhar que o mundo conhece e bem conhece, pois não baixamos a cabeça; com o pescoço em riste, olhamos o horizonte como se o tempo do amanhã nunca fosse o da desistência, mas sempre o da resistência. Aqui é o índio quem nos ensina a civilidade, e como tal, é a ficar longe desta tal barbárie do fascismo que falseia obsessivamente em nos chamar de amigo em troca de espelho.
Somos soberanos em nossas casas e em nosso país. Povo livre que escolhe o seu próprio destino. Não nos venham com a sanha de controlar o que pensamos e fazemos, seja no rádio, na TV ou no celular. Aqui se ensina a sambar, a lambar e a dançar com alegria. O arrasta pé tem um para cada canto deste país, sempre com seu ritmo e prazer. Mas seja onde for, e onde estivermos, o nosso tambor bate em uníssono ao tom do popular, do justo e do combate.
Somos um povo de coragem, que não foge à luta, somos Lula da Silva. Bora 13.
Bruno Boaventura.
Advogado.